Aluísio Azevedo
2016-05-25
Se um livro percorreu décadas, séculos e chegou até nós com o rótulo de "clássico" é porque muita, mas muita gente o leu, gostou e projetou esse prazer para além de seu tempo. É o caso dos títulos reunidos na coleção Clássicos, da SESI-SP Editora. Sucessivas gerações de leitores consagraram tais títulos como obras de arte que falam à alma, moldadas sobre a rica matéria-prima da literatura, sendo a língua tanto a nossa portuguesa como outras de culturas diversas. São textos que mantêm a atualidade por terem como referência a essência do ser humano, que resiste ao tempo e à história, mesmo que a linguagem utilizada, muitas vezes, traga características de outros tempos e movimentos de nossa história. A leitura vale, não como obrigatória, mas como necessária.
Este romance naturalista mergulhou-me no coração da São Paulo colonial, onde as camadas da sociedade se entrelaçam como ingredientes numa panela fervente. Aluísio Azevedo tem um dom para capturar a crueza e a paixão da vida urbana, uma explosão de sabores intensos que não poupam nada nem ninguém. Achei a narrativa densa, quase como um ensopado rico, mas o sabor amargo da desigualdade e da luta pela sobrevivência é um prato que nenhum bufph pode deixar de experimentar.